As pirâmides de Tikal, na Guatemala são impressionantes. Com mais de
2000 mil anos de idade, essa cidade foi uma das mais poderosas do
mundo maia.
No topo do Templo IV, que era onde os antigos maias faziam seus
famosos sacrifícios humanos, dá pra ver sobre a imensa selva.
O filme “Apocalypto”, do Mel Gibson retrata essa civilização tão
misteriosa e, apesar de estar históricamente impreciso, de acordo com
alguns estudiosos (uns chatos), é muito interessante pra nos colocar
no contexto dessa antiga realidade.
Um dos aspectos mais fascinantes de Tikal é que esse patrimônio da
humanidade é num santuário da vida selvagem. Caminhando na floresta
entre os templos nos deparamos com esse tipo de furão guatemalteco e
vários macacos, ouvimos dizer que apareceu um jaguar. Apesar de ser
possível ver esses felinos magníficos por aqui, acho que era mentira.
Logo ao entrar em El Salvador, esse país menor que o estado de São
Paulo, vimos a entrada pra um lago numa cratera de um vulcão (El
Salvador é todo surpreendentemente montanhoso). A água na maior parte
do lago estava geladíssima pela altitude, mas em algumas partes perto
da costa estava quente e com um cheiro de enxofre! Depois de uma
nadadinha guerreira entre o quente e o muuito frio, o enxofre fez
efeito, a parte ruim foi que fiquei levemente defumado a ovo, mas a
parte boa é que esse mineral faz muito bem pra pele em pequenas
quantidades e a minha ficou tipo cetim.
Procurando alguma cidadezinha pra passar a noite, “Alegria” pareceu um
nome sugestivo, além de ser a cidade de maior altitude de El Salvador,
e altitude igual a frio, nada melhor do que um friozinho pra dormir.
Curiosamente tem uma “Berlin” logo ao lado de “Alegria”. A foto está
meio borrada, mas dá pra ver!
Toda a cidade de Alegria é coberta de arte urbana, tudo um pouco
ingênuo, mas autêntico e especial.
PAN NUESTRO, ou Pão Nosso é o melhor nome pra padaria! haha. Veio até
com a arte urbana típica de Alegria. O pa de pan ficou faltando porque
a camera está péssima, não que o fotógrafo seja dos melhores, mas
depois de tanto sofrimento (em areia, chuva, gelo) vou ter que
adquirir uma camera nova!
Já fora de Alegria, passando por San Salvador, capital de El Salvador,
vimos a ironia do contraste da placa para a Rota das Flores (que é pra
ser um exemplo de beleza natural) com os postes e fios elétricos
urbanos. Ficamos um pouco céticos sobre essa tal rota, estando tão
perto da uma metrópole, mas…
… como o nome indica, realmente havia Flores por todos os lados!
A rota das Flores nos leva para a zona cafeeira de El Salvador, que
produz um dos melhores cafés do mundo.
Dentro dos cafezais, nos deparamos com a primeira escultura maia do
TOUR CAVALERA. A primeira de muitas, esperamos! Daqui seguimos pra
Guatemala, coração do mundo maia!
Esse veleiro é o Ave Maria, e na proa está o capitão australiano,
Paul. Nesse barco atravessamos as águas perigosas do Darien em direção
ao Panamá.
Paul estava contando como um francês foi sequestrado pela FARC
enquanto estava fazendo essa mesma viagem há só 4 meses. Os
guerrilheiros vieram de barco, escolheram esse cara entre os turistas
e o levaram, mesmo ele não sendo rico e nem de orígem rica… Agora a
família dele está pagando o resgate em parcelas.
Passamos dois dias sem ver terra e de noite todos no barco alternavam
turnos para ficar de vigía no radar, vendo se nenhum cargueiro se
aproximava. Acontecem muitas colisões nessa rota, por aqui passam os
navios que vão ao canal do Panamá.
Finalmente avistamos terra, ou melhor, paraíso! O arquipélago de San
Blas é parada obrigatória pra quem vai ao Panamá, são mais de
trezentas ilhotas cobertas por coqueiros. Certamente é um dos lugares
mais lindos que já vi.
Ao redor de cada uma dessas ilhas estão barreiras de corais, que
apesar de serem perfeitas para os mergulho livre são pesadelo pros
capitães. Esse barco azul na foto, há apenas umas semans colidiu
contra os corais. Prejuízo de 100 mil dólares para o dono, que perdeu
seu iate.
Essas ilhas são habitadas e governadas pelo povo Kuna, que as chama de
Kuna Yala. Nessa imagem aqui, uma mulher Kuna no celular (a foto está
meio ruim que de perto eles não deixam fotografar). Esse momento de
contraste entre o celular e as vestimentas tradicionais ilustra bem o
que está acontecendo, a cultura local está sendo perdida e os modos de
vida tradicionais deixados de lado. Com o turismo crescendo como
está em San Blas, de acordo com o capitão Paul, em uma década esse
paraíso estará arruinado. Espero que ele esteja errado.
Em zigue zague entre as fronteiras argentinas e chilenas, saímos de Ushuaia rumo norte em direção a El Calafate, que é uma cidadezinha na beirada do Glaciar mais famoso da America do Sul, Perito Moreno.
No caminho, cruzamos muitas criações de ovelhas nas “Estancias” que são um tipo de fazenda tradicional da região.
A estrada de vez em quando se tornava perigosa, muito sinuosa e com trechos de puro gelo…
… mas nada que a Cavalera e sua trupe itinerante não pudesse passar. O renegado não deve ter sobrevivido essa curva.
O glaciar Perito Moreno é um dos únicos glaciares do mundo que não está diminuindo com o efeito estufa, inclusive está crescendo! Todo dia esse gigante milenar de gelo azul cresce 2 metros!
Explorar o Parque Nacional dos Glaciares é também uma experiência auditiva, ouve-se muitos estrondos e de vez em quando uma parede se solta e cai na agua com um rúgido poderoso! Nessa foto um pedaço enorme de gelo acaba de se desprender.
Essa imagem é de um vídeo de um mega navio abrindo caminho pelo gelo, seguindo os passos de um homem. Essa imagem é muito linda e poética, um tanto melancólica, mistura de poder e fragilidade, é a obra de Guido van der Werve chamada “Everything is going to be alright”, ou, “Tudo vai ficar bem”, de 2007.
Nesse cenário em chamas, um casal vive normalmente, indiferente do fogo e de si próprios… obra em vídeo “Burn” de Reynold Reynolds e Patrick Jolley de 2002.
A arte em Ushuaia não fica só na Bienal, na rua principal tem essa pintura na parede do prédio dos correios que gostei muito. Mostra os índios da região sofrendo com a chegada do europeu explorador. As doenças que os homens brancos trouxeram do velho continente fizeram com que a população aborígene da Tierra del Fuego fosse extinta. Muito triste.
Atravessamos montanhas nevadas e estamos na cidade mais ao sul do mundo! Ushuaia!
Tivemos muita sorte de chegar em tempo para a Bienal del Fin del Mundo que acontece aqui em Ushuaia. A exposição tem muita vídeo arte e a maior parte das peças mostra os elementos em extremos, muito gelo, fogo, e o mar revolto. Tudo a ver com o fim do mundo.
A bienal rola, entre outros lugares, nesse hangar abandonado da força aérea argentina, o metal faz dele um freezer e assim, nos congelando, acaba tornando a experiência muito mais visceral!
Estamos chegando na região da Tierra del Fuego, que é a maior ilha da América. Quanto mais nos aproximamos de Ushuaia, capital Fueguina, mais nos aproximamos da Antártica e está ficando friiiiiio!!
Esses animais na foto são guanacos, da família do camelo e da lhama. Tem muitos por aqui e eles são bem distraídos, entram na estrada direto, então temos que tomar cuidado!
O ruim de ser pão duro é que o carro não tem aquecedor então temos que andar mega agasalhados!! O pior é que temos que deixar a janela meio aberta pra não condensar nossa respiração no vidro… Quando condensa, vira gelo rapidamente e não dá pra ver nada!
A guerra das Malvinas é um tópico quente por aqui, pertencem aos britânicos (que pra eles chamam Falklands) e foram invadidas pelos argentinos no início dos anos 80. O Chile se aliou aos britânicos e a Argentina perdeu. Passar pelos campos minados na área da fronteira nos fez lembrar como a guerra é horrível e agradecer pelo nosso Brasil da paz.
Vida selvagem perto dos campos minados… Sem muita presença humana quem sai no lucro é a fauna.
A arte urbana no único vilarejo, Puerto Pirámides, reflete o residente mais famoso daqui.. a baleia. Elas vêm pra cá pra acasalar.. que romântico…
Nós tivemos a sorte de ver uma orca longe no mar com binóculos, inclusive ela pareceu se exibir pra nós, dando uns três saltos.. foi uma visão espetacular. Pena que não conseguimos fotografar, o zoom da nossa câmera é péssimo!
No dia que chegamos um golfinho doente apareceu na praia, vieram uns veterinários cuidar dele.. inclusive tirar amostras de sangue. Agora ele está na prefeitura em observação. Que dó.
O tatu foi muito amigável, acho que ele gostou da jaqueta verde da Cavalera que a Fê tava usando!
A raposa ficou curiosa…
A mara, que é uma lebre patagônica que parece uma mini capivara, também ficou curiosa…
Chegamos num local mágico, a península Valdéz. Aqui foi declarado world heritage site pela UNESCO e é um dois mais importantes refúgios da vida selvagem na América do Sul.
Chegamos ao início da Patagônia, um lugar mágico. Estamos no estado de Rio Negro, numa praia chamada El Cóndor.
O vento por aqui é muito forte e molda a paisagem de uma forma muito marcante.. Essa foto é de uma tempestade de areia, que por aqui é muito comum. Essas tempestades chegam a bloquear bastante a luz do sol, deixando o dia inteiro com uma sensação de final de tarde.
Esse é Asarof, um dos moradores da foz do rio Negro, neto de imigrantes russos.
Estradinha da cidade Carmen de Patagones para a foz do rio Negro.
O terreno aqui ajuda bastante a prática do mountainboard, que é esse skate com umas roldonas!
Quando a gente está com coragem suficiente dá pra fazer o mountainboarding com kite! Mas os tombos são mais doloridos!
Quando o vento aperta é bem fácil sair voando…
Outro dia estava fazendo kite tranquilamente quando vi uma barbatana e um dorso preto numa onda muito perto. Quase morri de medo e pavor, lembrei que nessas águas frias tem pencas de tubarões e orcas! Eu com essa roupa de neoprene fico parecendo um leão marinho, o alimento preferido desses predadores! Com o nervoso, deixei cair o kite na água, perdi a prancha e achei que fosse morrer! Por sorte consegui ir pra terra rapidamente e fiquei observando o mar. Notei que eram quatro toninas, que é uma espécie de golfinho da região. Elas devem ter ficado curiosas pra chegar tão perto!
Aqui em El Cóndor tem uma colônia enorme de leões marinhos e dessa encosta dá pra observá-los. Só não pudemos chegar muito perto porque eles se assustam com facilidade e, afobados, saem correndo para a água e esmagam seus filhotes e as fêmeas menores.
O clima patagônico é bem seco e queimadas são frequentes.. Desde que chegamos não caiu um pingo d´água!
Ainda estamos em Buenos Aires, colamos montes de stickers e fizemos um stencil com o logo da cavalera e grafitamos pela cidade…
Imagens 1 e 2
Com tanta arte urbana em Buenos Aires, a Cavalera teve que participar! Baixei o logo da cavalera do google images mesmo e imprimi tamanho A3 numa gráfica comum.